a Sobre o tempo que passa: A recandidatura a presidente regional de um professor da Universidade Independente

Sobre o tempo que passa

Espremer, gota a gota, o escravo que mantemos escondido dentro de nós. Porque nós inventámos o Estado de Direito, para deixarmos de ter um dono, como dizia Plínio. Basta que não tenhamos medo, conforme o projecto de Étienne la Boétie: "n'ayez pas peur". Na "servitude volontaire" o grande ou pequeno tirano apenas têm o poder que se lhes dá...

28.4.07

A recandidatura a presidente regional de um professor da Universidade Independente

Um quarto de hora antes de morrer, este regime ainda está vivo. Só que o quarto de hora em causa pode, e vai demorar, uma década a passar, a não ser que aconteça um imprevisto, como vai acontecer, vindo de cima, ou vindo de fora. E a agonia decadentista nem sequer pode ser acelerada se alguns dos partidos existentes passarem a alvarás, emprestando siglas a movimentos de cidadãos que contratem actores de teatro para se candidatarem a líderes governamentais, mesmo que seja contra presidentes em exercício que são camaradas do mesmo partido, dado que eles até são melhores actores do mesmo teatro da trágica comédia em que nos vamos enredando.


As recentes cenas dos enredos madeirenses disputam a agenda mediática com as operações saudosistas de Santa Comba, onde um cadáver físico não adiado vai procriando manifestações, para gáudio de manifestantes e contra-manifestantes, onde uns sonham com regressos a ditaduras e outros com ditaduras do contra, quando apetece repetir o que disse o ministro, António Costa, com algum bom senso democrático: «Espanta-me o fervor noticioso em torno desse partido chamado PNR ... só o Ministério Público tem legitimidade para intentar uma acção de dissolução de um partido, se entender que há motivos para isso ... esse partido é um partido como o meu partido, o PS, o PSD, o CDS-PP ou o PCP. É um partido legal como os outros».

No intervalo, deu-se o regresso de Paulo Portas, com uma excelente intervenção parlamentar, ninguém reparando que durante dois anos ele apenas foi um deputado silencioso, talvez para demonstrar que eles são todos iguais, mas que há alguns mais iguais do que outros, pelo que não espanta que os representantes da nação prefiram biscates, mesmo que seja a ida aos painéis televisivos de comentarismo oficioso, onde recebem cerca de 20 euros por minuto, conforme pode ler-se no último número do "Tal & Qual".

Voltando ao ritmo jardineiro, se achei piada à técnica do Manuel do Bexiga, com que Manuel Monteiro conseguiu um pontinho na agenda mediática, apenas confirmei o que Francisco Lucas Pires argumentou quando se demitiu do CDS de Monteiro e Portas: para se ouvirem, eles têm de berrar. Porque quando todos ralham, corremos o risco de continuar a ter caravanas situacionistas que passem, de tal maneira que Jardim até pode dizer que as trapalhadas académicas de Sócrates são um "castigo divino", enquanto a segunda linha da biografia oficial do senhor presidente do governo regional reza que ele é licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, tendo sido professor nos ensinos técnico e secundário. É Professor Convidado da Universidade Independente de Lisboa.