Promessa instantânea. Recebido de A:A.
Os nossos políticos aderiram ao método da receita rápida, do deita água e está pronto a servir, porque para quem é bacalhau basta.
A vozearia que se ouve, na generalidade, 99,9%, diria, reduz-se a um vazio do qual apenas sobressai, com despudor, a promessa instantânea do pudim disponível a qualquer sabor, com um pouco mais de gelatina, aqui e além, para que não desabe.
É um prato português, sim senhor, muito actual e é um prato anti-sísmico, não vá alguém lembrar-se de constituir pensamento e expressão e mobilizar essa lei desconhecida, e que impede que os homens sejam tratados com total falta de dignidade: com enxovedo rasteiro.
O maior benefício para que esta campanha eleitoral corresse o melhor possível, era só um: calarem-se de vez os candidatos ao voto, porque há que respeitar o silêncio do povo que observa e sofre e tanto lhe basta.
É grotesco que as gentes sejam tratadas a eito como estúpidas; como grei parda.
Vivemos num burgo, no qual a fala tonta se instituiu como modo supostamente comunicativo.
Os circenses pensamentos secundários, à falta de melhor, são expostos na hora das audiências para que se traduzam em nenhum esforço de compreensão. A única dificuldade, nos ouvintes das promessas instantâneas, reside, tão só, em que se não levante a dúvida de que todas são iguais na origem e no destino.
Experimente-se a receita:
100 gramas de nada
120 gramas de coisa nenhuma
200 gramas de fermento em pó
500 gramas do mesmo
1 grama de cólera
Envolva-se tudo e leve-se ao forno em banho-maria, durante 30 minutos.
Caso a promessa instantânea rebente no forno antes do tempo previsto, avalie-se a força da única grama da receita que se introduziu, e vote-se de imediato e sem conhecimento de qualquer sondagem.
A.A (vosso anónimo de agora e de outrora)
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