a Sobre o tempo que passa: Os bombeiros-pirómanos e a espuma do anti-défice

Sobre o tempo que passa

Espremer, gota a gota, o escravo que mantemos escondido dentro de nós. Porque nós inventámos o Estado de Direito, para deixarmos de ter um dono, como dizia Plínio. Basta que não tenhamos medo, conforme o projecto de Étienne la Boétie: "n'ayez pas peur". Na "servitude volontaire" o grande ou pequeno tirano apenas têm o poder que se lhes dá...

25.5.05

Os bombeiros-pirómanos e a espuma do anti-défice



Era uma vez uma terra de sempre onde nunca mais era nunca, até que, em certo dia, os anteriores pirómanos da partidocracia decidiram vestir-se de bombeiros e com retóricos discursos decidiram fingir apagar o fogo do défice, especialmente quando perceberam que o pagante começava a entrar em regime de intolerância... Mendes disse que gastou menos do que Guterres. Melo que gastou tanto como Mendes. Jerónimo disse que é mentira dizerem que gastam por culpa do PREC. E Louçã replicou a todos garantindo que era o único doutor em economia.

Sócrates desta não disse nem comentou na RTP. Fez: IVA aumenta de 19 para 21%. Tabaco mais caro entre 10 a 15%. Mexida no imposto sobre combustíveis faz subir gasolina em 1 cêntimo e gasóleo em 0,6 cêntimos. Taxa de IRS de 42% para rendimentos acima dos 60 mil euros por ano. Funcionários públicos passam a reformar-se aos 65 anos. Subsídio de doença na Função Pública baixa para 65%. Congelados aumentos dos administradores de empresas públicas. Acabam pensões vitalícias dos políticos.



Leio, contudo, que o uso da força e os maus-tratos por parte da Polícia e guardas prisionais continuam a ser referidos no relatório de 2004 da Amnistia Internacional (AI) sobre Portugal. Tomo o café da manhã na esquina do palácio presidencial e o empregado está contente: granda Sócrates, foi ao bolso dos gandulos da função pública. E eis como um socialista desencadeia, sem o notar, o processo liberal em curso. Até Fernando Gomes decidiu enveredar por uma carreira de não-função pública. E lá continuo em mudanças, depois de uma noite a arrumar as minhas últimas tralhas no município de Isaltino.

Leio no "Correio da Manhã": "Fiquei surpreendido com a nomeação para a Galp”. Com estas palavras, Fernando Gomes, deputado socialista e ex-presidente da Câmara do Porto, revelou ontem ao CM que tenciona “abandonar a vida política” e por isso manifestou ao Governo disponibilidade “para ocupar uma função economista em qualquer empresa”.

Leio em "A Capital" que:«Na situação em que estamos será muito difícil fazer aumentos de impostos sem que possam ter implicações negativas sobre a competitividade das nossas empresas», sustentou Cavaco Silva aos jornalistas, à margem de uma conferência na Universidade Católica de Braga. Reduzir as despesas públicas e resolver desequilíbrios macroeconómicos é, por isso, fundamental na opinião do ex-primeiro-ministro, mas sem alterar uma prioridade que é um «olhar decisivo sobre a competitividade das empresas». Sobre o défice público de 6,83 por cento, apurado na segunda-feira pela “comissão Constâncio”, Cavaco Silva disse «não ter ficado surpreendido» com este valor, dado tratar-se de um défice «sem medidas extraordinárias». «Os economistas que acompanham estas questões sabiam que o valor não podia andar muito longe daquilo que foi anunciado», frisou o economista, lembrando que em 2004, se forem retiradas as medidas extraordinárias «o défice anda na ordem dos cinco por cento».