a Sobre o tempo que passa: Efeitos do exagero de calor e a necessidade de lavarmos as mãos

Sobre o tempo que passa

Espremer, gota a gota, o escravo que mantemos escondido dentro de nós. Porque nós inventámos o Estado de Direito, para deixarmos de ter um dono, como dizia Plínio. Basta que não tenhamos medo, conforme o projecto de Étienne la Boétie: "n'ayez pas peur". Na "servitude volontaire" o grande ou pequeno tirano apenas têm o poder que se lhes dá...

22.6.05

Efeitos do exagero de calor e a necessidade de lavarmos as mãos



Julgo que o exagero de calor e a gravidade dos incêndios agravaram as tensões psicológicas de ilustres personalidades lusitanas, influenciadas pelo efeito de estufa do capacete. Ficámos assim a saber que o ministro da Saúde, Correia de Campos, deu um "puxão de orelhas" aos médicos e outros profissionais do hospital de São João afirmando que «muitas mãos não são lavadas» quando passam de um doente para o outro, o que resulta na enorme taxa de infecções que se registam naquele hospital.



Também reparámos que o presidente Jorge Sampaio criticou a Banca por "não apoiar as novas economias" e pouco fazer pelo crescimento económico do país, salientando a "oposição da Banca" relativamente ao capital de risco (vocacionado para novos projectos inovadores) e acusou-a de "não arriscar alguma coisa" nas empresas. E deu o exemplo da facilidade com que se consegue um crédito automóvel. "Se quiserem um automovelzinho, a Banca está disposta a fazer umas prestações. Eu até penso que pena não ter de comprar carro porque é uma maravilha. É um embuste".

Espantosas foram as revelações sobre o GOL, dado que Jaime Gama será o único presidente da Assembleia da República socialista que, segundo António Reis, não é maçon, enquanto António Arnaut, segundo o "Correio da Manhã", lembrou um caso concreto: “Um administrador do BCP (mas eu não disse coisa nenhuma), é maçon”. O exemplo tem particular importância devido à conhecida influência exercida por outra organização, a Opus Dei, naquela instituição bancária. Jardim Gonçalves, ex-presidente do BCP, e Paulo Teixeira Pinto, actual presidente da instituição bancária têm ligações à Opus Dei.



Não faltou sequer uma copiosa manifestação de polícias e guardas, com alguns dos ditos ostentando a carantona de Che Guevara e outros tantos ofendendo jocosamente símbolos religiosos. A falta de nível de alguns palavrões usados, quase equivalentes às tolices da manifestação identitária do Martim Moniz, criaram um ambiente noticioso que culminou com o regresso de Pedro Santana Lopes à intervenção política, na SIC-Notícias, falando sobre o "embuste" da encenação do presente governo sobre o défice, e atacando Sampaio. Continua, de facto, o exagero de calor e aguardam-se os efeitos da próxima greve de zelo dos magistrados. Vale-nos que dentro de um mês estará tudo de férias e que a "rentrée" ocorrerá apenas lá para os fins do mês de Setembro.