a Sobre o tempo que passa: Prestes a esvoaçar para outra varanda, na Ribeira do Mar de Timor

Sobre o tempo que passa

Espremer, gota a gota, o escravo que mantemos escondido dentro de nós. Porque nós inventámos o Estado de Direito, para deixarmos de ter um dono, como dizia Plínio. Basta que não tenhamos medo, conforme o projecto de Étienne la Boétie: "n'ayez pas peur". Na "servitude volontaire" o grande ou pequeno tirano apenas têm o poder que se lhes dá...

10.10.08

Prestes a esvoaçar para outra varanda, na Ribeira do Mar de Timor


Depois de muitas e caladas peripécias, informo os meus queridos amigos e leitores que estes postais passarão a ser emitidos a partir da Ribeira do Mar de Timor. O gavião assumirá, no primeiro semestre deste ano lectivo, o heterónimo da imagem que encabeça esta declaração. Oportunamente, informarei sobre as minhas coordenadas. Apenas me apetece recordar que um dos meus primeiros actos de activismo político foi o de lutar por uma lista de deputados (C.E.M.) onde se incluía o grande poeta timorense Fernando Sylvan. Lutávamos contra a política colonialista que, em Lisboa, conjugava o verbo "ter". Rejeitávamos o verbo "estar". Sylvan ensinava-nos que valia a pena o verbo "ser". Ainda tenho dessas saudades de futuro do abraço armilar por cumprir. Vou com paixão e com razão. Porque Timor já não rima com temor, mas com a comunidade das coisas que se amam.