a Sobre o tempo que passa: Pela Santa Liberdade!

Sobre o tempo que passa

Espremer, gota a gota, o escravo que mantemos escondido dentro de nós. Porque nós inventámos o Estado de Direito, para deixarmos de ter um dono, como dizia Plínio. Basta que não tenhamos medo, conforme o projecto de Étienne la Boétie: "n'ayez pas peur". Na "servitude volontaire" o grande ou pequeno tirano apenas têm o poder que se lhes dá...

13.3.11

Pela Santa Liberdade!



1
Ontem, foi mais um dia de interregno. Acabou a fase de luta pelo poder que resta, começou o tempo de criação de uma nova forma de poder, para os que assumam a intuição criativa e dêem signo de libertação aos esboços de liberdade que os povos esboçaram."Com todos os prós e os contras, acabei de ultrapassar a dúvida metódica que precede as crises da decisão. Seria cobarde proclamar que apenas os "compreendo", reservando o prognóstico para depois do apito final. A convocação precisa de uma resposta inequívoca: digo que sim! Que seja o primeiro dia de um novo começo. Convém que os povos ocupem a rua contra as pretensas razões de Estado." (escrito há 22 horas, no FB)


2
Já não chega a mera invocação da razão de Estado, sem acompanhamento parlamentar e com ostensivo desprezo da presidência. Os patrióticos fins não podem justificar todos os meios. Correm o risco de ficar no inferno das boas intenções."hoje ainda somos poucos mas aos milhares bem mais do que a soma de todos os mobilizados pelas jantaradas com que os ministerialismos se vao passeando pela provincia" (escrito a partir da manife, do telemóvel, há 20 horas).


3
Faltou nas ruas a bandeira azul das doze estrelas, usurpada pela partidocracia e pela tecnocracia dos eurocratas. Por cá há um povo que ameaça acordar, contra os ministros do reino por vontade estranha.E cá mesmo no extremo ocidental/ Duma Europa em farrapos, eu/ Quero ser europeu: Quero ser europeu/ Num canto qualquer de Portugal (Afonso Duarte 1884-1958).


4
"Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar" (Sophia). Por enquanto, apenas uma federação de minorias em coligação negativa, à procura da liberdade. Amanhã, será revolta.


5
O poder cria-se. É sempre a união do órgão e da função. Não é esse órgão sem função, o da governação em pilotagem automática, nem essa função sem órgão, o da manifestação, ainda sem voz tribunícia.Não sou um velho vencido!/ Mesmo à beira da morte/ Quero erguer o braço forte/ Da razão de ter vivido (Do mesmo poeta da Ereira)


6
Os futuros protagonistas serão os políticos da democracia representativa que navegarem as circunstâncias através da palavra que se cumpra em confiança pública, contra o império sem rosto que nos oprime. Recomeçou a dignidade.O além da vida me tem morto,/ Não a morte:/ Um além que é amanhecer na noite sem fim/ Dos dias sofridos,/ Dos dias sem manhã nem tarde,/ Porque foram de exílio, de desterro (Afonso Duarte, que vou relendo).


7
A governação não existe como abstracção que nem é constitucionalmente prevista. Não passa de entidade representativa, a que está presente em vez dos outros que somos nós. Por enquanto não são deuses nem tiranos. São pastores, mas carneiros como todos os outros carneiros do rebanho dos cidadãos, como diria Platão. "sinto que esta manife constitui uma inorganica federacao de minorias em procura de liberdade... A revolta segue dentro de momentos" (escrito há 20 horas, no telemóvel, em plena manife e publicado no FB).


8
Quem estica a corda em demasia, pode chegar a casa e reparar que ela quebrou pelo lado mais fraco. Tudo depende da qualidade da democracia. Se esta ainda resistir."sinto que esta manife constitui uma inorganica federacao de minorias em procura de liberdade... A revolta segue dentro de momentos" (escrito de telemóvel, em plena manife, do meu FB)


9
Certas viúvas do cavaquismo sem Cavaco e do Bloco Central sem Soares, podem andar por aí nas tácticas de procura de um qualquer consensual do centrão mole e difuso. Enganam-se com esses bailados de sociedade de corte, à procura de um qualquer João Crisóstomo para um pretenso governo de partidários ditos extrapartidários, antes de entrarem na esquizofrenia de João Franco... "ha alegria e criatividade neste manifesto do nosso eterno desenrascanco onde cabem milhares que amanha serao milhoes... O povao comeca a acordar" (escrito há 19 horas, em plena manife, do FB).


10
Há mais do que razões de convergência para uma moção de censura que invoque a ofensa ao princípio europeu e nacional de acompanhamento parlamentar das grandes decisões europeias. O estado de necessidade negocial é valor inferior ao do estado de sítio em defesa da separação e interdependência dos poderes."tenho orgulho de ter vindo...senhores rampuy, barroso e merkel, olhem que ainda ha um povo que ameaca acordar" (idem, há 18 horas).


11
A soma de multidões mobilizadas pelas jantaradas comicieiras com que os ministeriais se passeiam pela paisagem da província, com as claques habituais organizadas pelas distritais e pelos governadores civis do velho estadão são ridiculamente incapazes de encher a Betesga. Tenham juízo! "Voltei agora a casa. Vantagem de viver aqui mesmo ao lado e de conter esta máquina cardíaca que ainda está limitada. Liguei a telefonia, está a dar o futebol do costume. Abri a TV, estava uma ex-deputada a discursar. Não ponham funil à coisa no "day after". Façam desaguar a corrente no seio da democracia representativa, para um baralhar e dar de novo" (escrito há dezoito horas, quando voltei a casa).


12
Ai da Europa se não se importar que nos belgiquemos e que basta um qualquer governador da Flandres que nos leve para a renovada Santa Aliança do pretenso equilíbrio das potências. O eixo tanto foi derrotado em Hamburgo como já vê a Marine Le Pen suplantar o senhor Bruni nas sondagens.


13
Não foram as recentes eleições parlamentares que afundaram a Irlanda nas avaliações dos mercados, nem o malhar nos manifestantes gregos que deu mais respeitabilidade ao governo de Atenas. Os tecnocratas do pretenso super-estado da eurocracia têm de compreender que não haverá Europa se esta não for uma democracia de muitas democracias.


14
Não há democracia se continuarmos neste jogo das governações sem governo, sem parlamento e sem presidentes eleitos por sufrágio universal, por mais que derramem inconfidências em Twitter, a partir das próprias reuniões cimeiras.