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Sobre o tempo que passa

Espremer, gota a gota, o escravo que mantemos escondido dentro de nós. Porque nós inventámos o Estado de Direito, para deixarmos de ter um dono, como dizia Plínio. Basta que não tenhamos medo, conforme o projecto de Étienne la Boétie: "n'ayez pas peur". Na "servitude volontaire" o grande ou pequeno tirano apenas têm o poder que se lhes dá...

15.4.08

Entre os sinais da doença autoritária e os reflexos condicionados da persiganga


Com o regresso de Berlusconi, a permanência de Jardim e o apoio alemão à reeleição de Barroso, configura-se o estilo da direita emergente, nestes primeiros anos do século XXI, também marcada pela gestão de silêncios de Cavaco, pelas conferências de imprensa de Rui Gomes da Silva e pela circunstância de eu próprio gostar mais do estilo da nova ministra da defesa nacional espanhola que do ritmo submarino de Paulo Portas ou que da marca descentralizadora deixada por Santana Lopes. Por outras palavras, se isto é a direita, eu que também não sou de esquerda, prefiro continuar a ser um radical do centro excêntrico.

Ninguém duvide que, ontem, imensos pequenos chefes do micro-autoritarismo subestatal ficaram reconfortados com as palavras abstractas de Jardim, quando este qualificou os opositores como um bando de loucos, num misto de salazarismo e de PREC, onde não faltou a palavra diabolizante de fascista, de que foi vítima a imaginação criadora de um meu antigo aluno que, na sua corajosa solidão, têm usado a resistência do lugar representativo que conquistou para uma bela subversão pelo riso. Felizmente que já não há internamentos de opositores políticos por razões psiquiátricos, apesar de, em muitas zonas do mundo, continuar o regime de muitos doentes que governam e não se olham ao espelho.





Quando o PSD tenta fazer a Sócrates o que a esquerda do PS e certos protagonistas da Igreja Católica tentaram fazer a Francisco Sá Carneiro e a Snu Abecasis, eis que Menezes, pelo silêncio, admite que um poder maioritário, abusando da esquizofrenia, qualifique um oposicionista como membro de um bando de loucos. Logo, resta pedir a Jaime Gama que faça mais um discurso de elogio do situacionismo, reconhecendo que tem razão quem vence. Ou ficarmos encantados com o Reitor da universidade concordatária que fez homilia nas jornadas parlamentares do portismo, reclamando para a Igreja Católica o tratamento que a governança faz à CGT-Intersindical, porque, apesar de sermos todos iguais, os católicos eclesiais e os comunistas sindicais devem ser mais iguais do que os outros crentes e militantes.
Resta saber se as negociações entre o sindicalista Mário Nogueira e a ministra Maria de Lurdes Lino são preliminares de uma Concordata com Jerónimo de Sousa, visando instalar a universidade concordatária no espaço do não construído aeroporto da Ota, tendo em vista o ano de 2017. Dou cada vez mais razão a Orwell...